O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) celebrou seus 35 anos em uma cerimônia especial dedicada às mulheres, homenageando-as pela atuação e promoção do combate à violência contra a mulher. Elas receberam a Medalha Sinpol do Mérito Policial Civil, honraria concedida em reconhecimento aos serviços prestados à sociedade e à Segurança Pública.

O evento ocorreu na manhã desta quarta, 13, no auditório da Delegacia-Geral da Polícia Civil do DF (PCDF). Durante a solenidade, foram agraciadas policiais civis, autoridades governamentais, parlamentares e representantes de entidades de classe. Uma homenagem coletiva foi dedicada às equipes das unidades da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam I e II) e das Seções de Atendimento à Mulher (SAM).

Mulheres policiais civis foram homenageadas pela atuação no combate à violência | Foto: Comunicação Sinpol-DF

O sindicato também prestou homenagem e condecorou jornalistas que atuam em Brasília, pelo comprometimento e responsabilidade com a informação e por promoverem, por meio da divulgação de notícias, o combate à violência contra a mulher. Receberam a medalha as jornalistas Rita Yoshimine, Isadora Teixeira, Williane Rodrigues e Darcianne Diogo.

“Hoje, nosso encontro não apenas enaltece a notável trajetória do Sinpol-DF durante essas três décadas e meia, mas também presta uma homenagem justa e merecida às mulheres que desempenham papéis fundamentais em nossa sociedade. São mulheres que lutam contra a impunidade dos covardes”, discursou Enoque Venancio de Freitas, presidente do sindicato.

Diretoria do Sinpol-DF direcionou homenagem exclusiva às mulheres, em edição especial

De maneira atípica e surpreendente, Enoque interrompeu o seu discurso e deu lugar à secretária-geral da entidade, Luana de Ávila, justificando que “no contexto especial deste evento, é mais do que apropriado que o discurso principal de um representante do sindicato seja realizado por uma mulher”.

Luana, em um discurso de empoderamento, destacou a presença crescente das mulheres em espaços historicamente restritos. “Estamos presentes em espaços antes inacessíveis, e entregamos resultados com excelência. Enfrentamos desafios diários, às vezes em jornada mais que dupla. A nossa participação na sociedade não é apenas cor-de-rosa”, enfatizou.

O evento também prestou homenagens às 32 vítimas de feminicídio no DF em 2023, com destaque para a agente de polícia Valderia da Silva Barbosa, vítima de feminicídio em agosto deste ano, brutalmente assassinada pelo seu ex-companheiro em sua própria residência. Recentemente, a PCDF deu o nome de Valderia ao seu auditório, como homenagem à policial civil pelos relevantes serviços prestados na Deam II, em Ceilândia.

Durante a homenagem póstuma dedicada a Valderia, foi exibido um vídeo do seu cortejo fúnebre que também trouxe os nomes das demais vítimas de feminicídio. Durante o minuto em que os nomes iam surgindo na tela, o público se emocionou e aplaudiu como símbolo de solidariedade e respeito às vítimas e seus familiares. A medalha foi entregue à mãe de Valderia, que esteve no evento acompanhada dos filhos da policial civil e familiares.

VOZES CONTRA A VIOLÊNCIA

Além da participação de toda a diretoria do Sinpol-DF, o evento contou com a presença de autoridades e parlamentares de destaque no Distrito Federal, entre eles o delegado de polícia Ricardo Villafane, representando a Celina Leão, vice-governadora do DF, o delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, a secretária Giselle Ferreira, titular da Secretaria de Estado da Mulher do DF, a deputada federal Erika Kokay e a presidente do Sindepo-DF, Cláudia Alcântara.

Todos eles tiveram lugar de fala e compuseram o dispositivo de abertura e encerramento da solenidade. Os discursos foram proferidos voltados ao combate à violência contra a mulher, destacando um alerta para a crescente onda de feminicídios no DF. Na mesma oportunidade, foi destacada a atuação dos policiais civis no combate a essa violência.

Homenageadas receberam a Medalha Sinpol do Mérito Policial Civil

“Assumi a Secretaria da Mulher em meio a uma pandemia de feminicídios, que já totalizam 32 casos. Mas isso vai acabar. São por exemplos como o que aconteceu com a Valderia que temos que vislumbrar um mundo melhor. Precisamos homenagear as mulheres e, mais ainda, colocar em prática essas homenagens. Parabéns à força policial civil, que tem sido muito parceira para virarmos essa página”, destacou Giselle.

“Entrei em 1986 na PCDF, uma época que não havia alojamento e banheiro feminino, as mulheres tinham que dividir esses espaços com os homens. Cargos de chefia para mulheres era algo inexistente. Hoje, sou a primeira mulher a assumir o cargo de presidente do Sindepo. Chegar nessa condição não foi fácil, e eu espero contribuir para que outras também trilhem esse caminho”, declarou Cláudia Alcântara.

“É muito bom estar aqui e participar de uma homenagem como essa. A morte da Valderia sensibilizou a todos, pois ela foi uma mulher que lutou para que todas as mulheres vivessem em segurança. Portanto, que ela esteja sempre conosco, em nossa lembrança. Viva a Polícia Civil do Distrito Federal”, declarou.

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