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Da revista The Economist

20 de Novembro de 2008

(Tradução de Roberto Motta)

 A idéia de que pichações e outras formas de pequena delinqüência estimulam o mau comportamento social acaba de ser testada experimentalmenteUm local coberto de pichações e cheio de lixo faz com que as pessoas se sintam inseguras. E por uma boa razão, de acordo com um grupo de pesquisadores na Holanda. Kees Keizer e seus colegas da Universidade de Groningen deliberadamente criaram ambientes degradados como parte de uma série de experimentos projetados para descobrir se sinais de vandalismo, lixo e pequenos crimes podem mudar o comportamento das pessoas. Eles descobriram que sim, e por uma grande margem: ambientes degradados duplicam o número de pessoas dispostas a sujar as ruas e roubar.

A idéia de que observar desordem pode ter um efeito psicológico nas pessoas não é nova. No fim dos anos 80 George Kelling, um ex-oficial de justiça que agora trabalha na Universidade Rutgers, iniciou uma rigorosa campanha para remover pichações do Metrô de Nova Iorque, o que resultou em uma redução nos crimes menores. A idéia também serviu como base para a “Tolerância Zero” que Rudy Giuliani trouxe mais tarde para as ruas da cidade, ao se tornar prefeito.

Muitas cidades e comunidades no mundo inteiro estão agora tentando controlar comportamentos anti-sociais como forma de deter o crime. Mas a idéia permanece polêmica, dada a dificuldade de se considerar outros fatores que influenciam a criminalidade como mudanças no nível de pobreza, condições de moradia e política penal – incluindo até, de acordo com alguns, a eliminação do chumbo da gasolina. Um teste experimental da “Teoria da Janela Quebrada”, nome dado pelo Dr. Kelling e seu colega James Wilson à sua idéia, vem, portanto, em boa hora. E é isso que o Dr. Keizer e seus colegas fizeram.

O nome da teoria vem da observação de que algumas janelas quebradas em um prédio vazio levam rapidamente a mais vidros estilhaçados, mais vandalismo e, mais tarde, arrombamentos. A tendência das pessoas a se comportar de uma determinada forma pode ser reforçada ou enfraquecida, dependendo do comportamento que elas observam nos outros. Isso não significa que as pessoas irão copiar exatamente o comportamento ruim que estão vendo, passando a mão em uma lata de tinta spray assim que encontram pichações. Na verdade, diz Dr Keizer, observar comportamentos anti-sociais estimula a “violação” de outras normas de comportamento. Foi este efeito que os experimentos, que acabam de ser publicados na revista Science, foram projetados para testar.

A primeira pesquisa foi feita em um beco utilizado para estacionar bicicletas. Como em todos os outros experimentos, os pesquisadores criaram dois ambientes: um de ordem e outro de desordem. No ambiente de ordem, as paredes do beco foram pintadas; no ambiente de desordem, elas foram cobertas com pichações (feias, para evitar que fossem consideradas arte). Em ambos os casos um grande aviso proibindo pichações foi colocado, de forma a ser visto por qualquer passante. Todas as bicicletas estacionadas tiveram um folheto promocional (de uma loja de esportes fictícia) pendurado no guidão. Era necessário remover o folheto antes que a bicicleta pudesse ser usada.

Quando os donos voltaram para pegar suas bicicletas, seu comportamento foi observado. Não havia latas de lixo no beco, portanto os ciclistas tinham três escolhas. Eles poderiam levar o folheto consigo, jogá-lo no chão ou pendurá-lo em outra bicicleta (o que foi considerado pelos pesquisadores como equivalente a jogá-lo no chão). Quando o beco estava pichado, 69% dos ciclistas jogaram folhetos no chão, comparado com 33% quando as paredes estavam limpas. Para evitar uma possível distorção – a de que lixo gera lixo – os pesquisadores removiam rapidamente cada folheto descartado.

Outros experimentos foram realizados de uma forma similar. Em um deles, uma cerca foi usada para bloquear o acesso a um estacionamento, deixando apenas uma abertura estreita. Dois avisos foram colocados, um informando que a passagem pela abertura era proibida e outro dizendo que bicicletas não deveriam ser presas à cerca. No ambiente de “ordem” (com quatro bicicletas estacionadas, mas nenhuma presa à cerca) 27% das pessoas desobedeceram ao aviso de passagem proibida e utilizaram a abertura para acesso ao estacionamento. No ambiente de “desordem” (com as quatro bicicletas presas à cerca) 82% das pessoas utilizaram a abertura.

Os efeitos não se limitaram à observação visual de pequenos delitos. É contra a lei na Holanda soltar fogos nas semanas que antecedem o Ano Novo. Portanto, duas semanas antes da data os pesquisadores soltaram rojões ao redor de um estacionamento de bicicletas em uma estação ferroviária e observaram os resultados, usando a técnica do folheto promocional. Sem rojões, 48% das pessoas levaram os folhetos consigo, ao pegar suas bicicletas. Com rojões, esse número caiu para 20%.

O resultado mais dramático, entretanto, foi o que mostrou que dobra o número de pessoas dispostas a roubar em uma situação de desordem. Neste caso, um envelope com uma nota de 5 euros (visível através de uma janela de plástico) foi deixado semi-enfiado em uma caixa de correio. Na condição de ordem, 13% dos passantes levaram o envelope (roubo). Mas se a caixa de correio estivesse coberta de pichações, esse número subia para 27%. Mesmo se a caixa não estivesse pichada, mas a área ao redor estivesse suja de papel, cascas de laranja, pontas de cigarro e latas vazias, 25% levariam o envelope.

A conclusão dos pesquisadores é que um exemplo de desordem, como pichações ou sujeira, pode efetivamente estimular outro, como roubo. O Dr. Kelling estava certo. A mensagem para gestores públicos e policiais é que limpar pichações ou coletar lixo imediatamente pode ajudar no combate ao crime.”

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