A PCDF não pega carona com a PF; ela abre o caminho. Uma resposta direta a Flávio Werneck
Por Talles Murilo*
Basta ligar a televisão nas primeiras horas da manhã para constatar uma realidade evidente: a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) está nas ruas todos os dias, desarticulando esquemas criminosos e protegendo a Capital da República. Seja na elucidação de crimes que chocam o país, na prisão de criminosos de alta periculosidade ou no desmantelamento de organizações criminosas complexas, a eficiência da PCDF é amplamente reconhecida. Ainda assim, há quem tente minimizar esse protagonismo, exigindo que alguns pontos sejam devidamente esclarecidos.
O vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, criticou recentemente a PCDF, afirmando que a categoria estaria tentando “pegar carona” nas conquistas da Polícia Federal (PF) no Congresso Nacional. Segundo ele, a PF concentraria os holofotes por liderar o combate à corrupção e ao crime organizado no país, desqualificando, assim, o pleito de isonomia salarial defendido pela PCDF.
O que esse tipo de discurso ignora é a amplitude e a complexidade do trabalho desempenhado pelos policiais civis do DF. Enquanto a competência da Polícia Federal é delimitada constitucionalmente a crimes que envolvem bens, serviços ou interesses da União, a PCDF atua na chamada jurisdição residual – ou seja, investiga praticamente todos os crimes que não se enquadram na esfera federal. No Distrito Federal, essa missão é ainda mais abrangente: além de lidar com o vasto universo dos crimes comuns, a PCDF tem a responsabilidade direta de proteger a capital do país e os Poderes da República.
Se a Polícia Federal fosse tão autossuficiente quanto alguns discursos sugerem, vale recordar a Operação Nero. Quando a própria sede da PF foi alvo de ataques e tentativas de invasão em dezembro de 2022, quem conduziu com eficiência a investigação que identificou a maioria dos envolvidos foram justamente os policiais civis do DF. Foi também a PCDF que, com profissionalismo e celeridade, identificou e prendeu o terrorista que planejava explodir o Aeroporto Internacional de Brasília, evitando uma tragédia de grandes proporções.
A ideia de que a Polícia Federal monopoliza o combate ao crime organizado também não resiste à análise dos fatos. Enquanto facções criminosas avançam em diversos estados do país, a PCDF atua de forma permanente para impedir que organizações dessa natureza se estabeleçam no Distrito Federal. A recente Operação Eixo ilustra bem essa realidade: a investigação desarticulou uma rede estruturada ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ao Comando Vermelho (CV), bloqueando cerca de R$ 1 bilhão em bens e criptoativos e prendendo criminosos treinados no uso de armamento pesado.
Há ainda uma ironia pouco mencionada nesse debate. Enquanto alguns defendem que recursos federais não deveriam alcançar a PCDF, parte significativa do patrimônio apreendido em investigações conduzidas pela própria Polícia Civil acaba revertida aos cofres da União.
Os resultados da PCDF são concretos e recorrentes. Crimes de alta complexidade são solucionados em prazos que demonstram a capacidade técnica e o comprometimento dos policiais civis do Distrito Federal. Investigações difíceis, como a que apurou o assassinato de uma família inteira no DF, foram esclarecidas em apenas quinze dias, evidenciando a eficiência do trabalho investigativo realizado pela instituição.
Diante da responsabilidade de proteger a sociedade e garantir a estabilidade institucional da capital do país, é legítimo discutir a política remuneratória da PCDF. Nesse contexto, a Polícia Federal não deveria ser vista como um limite para a Polícia Civil do Distrito Federal, mas como um piso de valorização para profissionais que desempenham papel essencial na segurança pública.
O trabalho da PCDF fala por si. Não se trata de pegar carona em conquistas alheias, mas de reconhecer o protagonismo de uma instituição que, diariamente, abre caminho na defesa da sociedade e das instituições democráticas.
*Talles Murilo é escrivão de polícia da PCDF e diretor de Comunicação do Sinpol-DF
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